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Perspectivas

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Entendemos por perspectiva a contemplação do mundo de um ponto de vista global e unitário, de um ponto de vista articulador .   cobrindo toda a imagem; uma das muitas abordagens que favorecem a conceituação holística de um mar de percepções e visões diversas e convergentes.

Ao conceituarmos a ênfase como a Importância que se concede a um tema, fato, princípio, por meio de expressão, palavra ou gesto, ela é priorizada sobre outras dimensões, mas não se fragmenta delas, é enriquecida por elas, converge com cada uma um em suas diferenças, apesar da natureza das várias dimensões nas quais a pessoa está integrada.

No campo da educomunicação, é necessário lidar com uma ênfase no diálogo educomunicativo que promova a participação, que integre, transforme e converta na possibilidade de articulação de olhares e não de áreas de intervenção que possam ser entendidas de forma fragmentada, vertical, imposta de fora.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

1. Visão geral.

Ismar de Oliveira defende que, para melhor explicar o alcance do paradigma da educomunicação1, as áreas de intervenção da educomunicação são apresentadas por razões didáticas, que na verdade são a ênfase ou perspectivas de uma única realidade, percepções que quando articuladas constituem um todo, uma única experiência complexa, integral e em contínuo dinamismo.

Neste estudo de caso, apresentamos as ênfases educomunicativas na ação educativo-comunicativa, todas as dimensões da pessoa estão presentes, se conectam e se transformam em rede de redes, mas a natureza de cada experiência permite evidenciar os acentos da educomunicação na que é desenvolvido.

As ênfases aqui enunciadas por razões didáticas e de clareza na práxis educomunicativa, têm em comum a perspectiva holística, colaborativa e transformadora na melhoria da qualidade de vida e rede de relações nas quais a pessoa interage e se relaciona com a sociedade. , cultura, história e tecnologia.

2. Ênfase na educomunicação:

A práxis educomunicativa favorece a convergência e integração de todas as dimensões da pessoa em relação ao outro, a história e o ecossistema natural humano. Entre estes, existem experiências que por sua natureza privilegiam a ênfase em:

Educação em comunicação

Essa perspectiva determina a incidência do estilo de comunicação na experiência educacional, que prioriza uma cultura de comunicação aberta, horizontal, democrática, na qual todos se sintam responsáveis e com pertencimento.

A ênfase na educomunicação, favorece o desenvolvimento de estratégias colaborativas, o exercício de competências sociais, liderança social e responsabilidade cívica, bem como a formação do pensamento crítico, do equilíbrio nas relações e interações que se desenvolvem a partir da dinâmica de grupo.

Prioriza nas decisões pedagógicas a lógica dos processos, a formação de ecossistemas de educomunicação a partir da metodologia, o respeito às diferenças e o enriquecimento do trabalho em equipe a partir da diversidade de personagens.

Pedagogia da comunicação

Essa ênfase reconhece o valor de uma educação formadora para a leitura crítica da mídia, perspectiva reconhecida nos Estados Unidos e na Europa como educação para a mídia ou alfabetização midiática, é indiscutível especificar a importância dessa ênfase no desenvolvimento da práxis educomunicativa, porque Abre a possibilidade de gerar transformação e construir redes a partir da diversidade de relações existentes, a partir da rede digital, como veículo de encontro que se prepara para a proximidade.

A partir desta prioridade, desenvolve-se a capacidade de leitura do pensamento crítico perante os meios de comunicação, bem como a democratização de oportunidades, na implementação de propostas formativas abertas, críticas e de caráter social, que promovam o bem comum e a construção de um nova ordem de comunicação na história contemporânea.

Expressão e arte

Nesta ênfase, revitaliza-se o significado das expressões e da arte como veículo prioritário de comunicação, este tipo de vivência garante o reforço e a abertura do "coeficiente comunicativo" em todas as suas manifestações.

A importância na práxis educomunicativa nesta perspectiva garante a possibilidade de apreensão da multiplicidade de expressões, que se torna um significativo recurso articulador de expressão individual e coletiva a partir dos objetivos traçados pela comunidade educativa, Instituição, governo.

Mediação Tecnológica

Como necessidade inerente à cultura digital contemporânea em que nos desenvolvemos, é impossível pensar este paradigma sem reconhecer a vitalidade da questão da mediação tecnológica nas relações com as pessoas, que transformam o encontro a partir da simultaneidade de tarefas, imediatismo e convergência. de competências e capacidade comunicativa que conduzem inevitavelmente à transformação da qualidade comunicativa das pessoas e sociedades.

Trabalhar nesta ênfase é garantir a integralidade de um paradigma que promova a transdisciplinaridade que supere o esforço cooperativo na construção conceitual, afetiva, social, empática e colaborativa, para fortalecer o novo campo de transformação social em que interage, a partir da experiência participativa , com as novas periferias. (1)

Os programas, experiências ou projetos concebidos a partir desta ênfase promovem a formação e as estratégias de diálogo com as novas tecnologias, como a mediação, que darão significado e identidade digital às crianças e jovens, bem como ao pertencimento à “aldeia global” (2) do mundo em que habitam, aprofunda a interação humana em escala global, gerada por dispositivos e meios de comunicação digital.

(1) Cf. Papa Francisco, Discurso para o Dia Mundial da Comunicação Social 2016-2015
(2) Cf. Marshall McLuhan, Bruce R. Powers (2002). A aldeia global. Editorial Gedisa.

Compromisso social

A prática cidadã articulada no processo educativo-comunicativo formal ou não formal favorece o desenvolvimento integral de quem aprende nos espaços educativos a importância do compromisso social e da liderança, a significação do processo formativo vai gerar, neste enfoque, o compromisso com liderança comunitária para alcançar o bem comum e trabalhar por ele (1) .

Esta ênfase no compromisso social-cidadão exige a aplicação de uma diretriz metodológica flexível, inclusiva, democrática, que valorize o diálogo como plataforma de encontro e respeite a diversidade de pensamento, garantindo que antes de tudo o que sustenta o bem comum seja escolhido, a proposta seja construída. olhar a realidade a partir da comunidade, a partir de prioridades, questões ou problemas específicos que se originam no processo e transformam os contextos em que se desenvolvem, bem como liderança e assertividade em todos os tipos de relacionamento (2) .

(1) Cfr. De Oliveira Soares, I. (abril de 2009). Caminhos de educomunicação: utopias, confrontos, agradecimentos. Nomads, 30, 194-207, Bogotá.
(2) Cf. Barrenquero, A (2007), Conceitos, instrumentos e desafios da educomunicação pela mudança social. COMUNICAR, Huelva 29, pág. 115-213

Reflexão Epistemológica

A ênfase desenvolvida na diversidade de níveis, especialistas, estudantes universitários, jovens da educação básica, a busca da pesquisa a partir da metodologia colaborativa, torna esta ênfase um dos espaços prioritários de argumentação da educomunicação com a qual é possível consolidar a consistência de princípios do paradigma emergente .

Desenvolve especificamente o aprofundamento da inter-relação comunicação-educação e a reflexão sobre a coerência da ação educomunicativa na ação. (1)

(1) Cf. De Oliveira Soares, I. (1998). A gestão da comunicação no espaço educacional. DIA-logos of Communication, (52), 9-18.

Comunicação com Ecologia

Esta é uma nova ênfase no desenvolvimento da práxis educomunicativa e faz sentido porque trata das relações entre as pessoas e o meio ambiente. Isso na ecologia humana é percebido como um ecossistema que é construído a partir do equilíbrio entre ações, interações e contexto natural, no qual as pessoas e povos se desenvolvem, a partir dos sistemas sociais e ambientes existentes. (1)

É evidente situar o homem em relação ao que foi criado, pois “o homem não pode ser separado dos demais, há uma relação de incidência mútua, seja o ambiente sobre a pessoa, seja a pessoa na forma como o ambiente trata”. (2) Com isso, a educomunicação deve promover a valorização a partir do encontro respeitoso com o meio físico e natural que integra a pessoa em relação ao outro.

(1) Cf. http://www.ecologiaverde.com/que-es-la-ecologia-humana/#ixzz4J7cJmsz4
(2) Papa Francisco, (2015) Discurso aos prefeitos do mundo.

Comunicação com o transcendente

Pensando na busca de sentido dos precursores da educomunicação, Freire e Kaplun, a ênfase no transcendente revela a importância de um olhar de formação e construção integral de ecossistemas de educomunicação que se gestam no encontro com aquilo que o transcende.

Trata-se de acompanhar a experiência de busca e sentido com o ser superior que nos transcende, é inerente à condição humana, de uma visão integral, que a leva à plena realização na dimensão imanente e transcendente. Educar na comunicação com o transcendente exige ter em mente em que consiste, ou seja, comunicar, compartilhar, favorecer procedimentos nos quais se processam as experiências e se gerem corretamente emoções, valores, sentimentos e convicções, bem como a capacidade de estabelecer redes de comunicação no cotidiano do processo educativo.

Gestão de comunicação

Esta ênfase é caracterizada pela abordagem de operacionalizar os princípios em que se desenvolve a vivência da educomunicação, promovendo a corresponsabilidade, a participação, a interdisciplinaridade, o encontro, o diálogo e a escuta em projetos que articulem esses princípios favorecendo a formação de ecossistemas de educomunicação caracterizados pelo livre fluxo de informação, equilíbrio nas relações e interações, bem como ação democrática de recursos.

Essa ênfase não se refere apenas à educação formal, ou seja, escolas, universidades, institutos, abrange todos os tipos de espaços educacionais, inclusive os não formais, nos quais é possível realizar experiências de proximidade, relacionamento e transformação, desenvolvendo o respeito à diversidade, acolhimento do diferente e simultaneidade de cenários pelos quais passam pessoas, cidades, países.

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